quarta-feira, 10 de outubro de 2007

21 gramas

Existe apenas 21 gramas entre a vida e a morte.. 21 gramas... um filme, do qual apenas ouvi falar, e que todos dizem ser simplesmente inesquecível... não sei porque o recordei agora... acho que talvez por me sentir assim neste momento meio morta (adormecida?) meio viva.. A semana passada faleceu o tio do meu afilhado, uma pessoa com a qual tive oportunidade de trocar impressões várias vezes.. uma pessoa distinta (com um ligeiro toque de um snobismo saudável), interessante e relativamente culto.. Tinha 46 anos e uma filha com sete... Cancro! Apenas resistiu um mês desde o momento em que este lhe foi diagnosticado... um mês imóvel numa cama e tentando acreditar que era possível sobreviver... mais uma vez, não fui ao funeral.. tinha que trabalhar... incrível a facilidade com que me justifico na loucura do ritmo de vida que levo.. e na falta de tempo.. é quase inacreditável...
Recordo a quantidade de pessoas que me pediu tempo... tempo para ouvir.. tempo para estar... e acima de tudo tempo para amar.. eu própria me impus tempo para amar.. primeiro o estar preparada.. o aceitar... mais tarde.. tempo para esperar.. a distância desse mar assim o implorou... até deixar de fazer sentido.. apesar de não esquecer cabo verde..
Penso em tudo isto e não consigo deixar de sentir um frio no ventre... por aqui o tempo esgota-se rapidamente... e as pessoas fazem a sua vida sem se questionar sobre ele... deixam passar o crescimento espantoso dos seus filhos, as aprendizagens que fazem ao longo da vida esquecendo-se da capacidade de renovação do ser humano, iludem-se com as viagens que fazem nas férias procurando sair da rotina, esquecem-se, no fundo, que pode não haver amanhã.. e vão vivendo nesse confronto.. porque não tiveram tempo para se despedir quando o marido, o filho, a mãe morrem, porque não tiveram tempo para perdoar ou para aceitar... porque não tiveram tempo para tentar e arriscar.. eu não quero tornar-me nessa pessoa que procura os resultados e não está atenta ao processo... não quero!
Vou por isso atender ao processo.. amando o sofrimento e a dor que agora sinto.. e acreditando que darei tudo de mim... não quero chorar mais tarde por não ter tentado... pelo menos cabo verde devolveu-me isto: a capacidade de nunca me esquecer de dizer um “amo-vos pais”.. um “amo-te andré”...
Um “amo-te a ti”!... e vou dar tempo a quem me ama... a ti, principalmente, que por minha causa adias o teu amanhã... o teu futuro! E a ti mãe.. que mesmo nunca me entendendo sempre me aceitaste... mereces mais do que alguma vez te conseguirei devolver... apenas agora reconheço isso!
Amor... eu espero sim!!! eu espero!
Amo-te.. amo-te.. amo-te!
Beijo.

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