quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Num quarto qualquer...
Vejo t.v.: a reportagem do Sócrates na sic intercalada com outros programas da concorrência que demonstram o quanto estamos endividados e o custo médio de vida de um casal com um filho no nosso país.. ao fazer zapping entre estes dois programas não consigo evitar o riso sarcástico, apesar de me encontrar sozinha no quarto e saber que ninguém o irá comentar ou dar seguimento á conversa que neste momento travo na minha cabeça... mostraram o caso de uma mulher que se divide entre quatro locais diferentes de trabalho.. é professora.. dá aulas durante o dia numa escola em regime parcial, alfabetização de adultos á noite e divide-se entre dois locais de formação profissional.. o marido trabalha á noite.. tem o filho numa pré-primária privada... carro...e encontra-se a pagar casa.. considera-se pobre!! outro caso: um jovem casal que recebe cerca de 1150€ por mês (ordenado de ambos)... têm despesas com água, luz, gás, t.v. cabo (extremamente necessário) e pagam a renda de uma casa.. têm uma filha que deixam à responsabilidade da avó, reformada, e pagam empréstimo do carro...consideram-se pobres...
bem... isto para mim é realmente motivo de riso... reclamam de uma situação que eu creio que não corresponde efectivamente á realidade.. a verdade, é que o padrão de consumo e o nível económico médio de vida aumentaram e entretanto as pessoas já se esqueceram do que era a vida há apenas alguns anos atrás.. as pessoas não tinham com certeza tantos televisores em casa, três mil e um canais televisivos que apenas serviam para enfeitar o ecrã, internet fixa.. (e muito menos móvel), um telemóvel por cada elemento do agregado familiar, um micro-ondas cujo uso apenas é dado para tomar o leite aquecido de manhã, o frigorífico cheio com alimentos que se vão deteriorando porque acabam por ficar esquecidos no fundo de uma prateleira... enfim... recordo ao mesmo tempo a minha vida na adolescência.. bem mais saudável...relembro agora as histórias contadas pelos meus pais à mesa de cabeceira antes de adormecer.. aquelas histórias fantásticas em que a felicidade se encontrava a um milimetro do chão... apenas protegido da pele por uma camada fina de pó... naquele tempo não havia muita estrada de calçada, mas mais de terra batida... recordo novamente cabo verde... volta o aperto no peito... tudo se mistura...a vontade de não viver supérfulamente aqui, e a vontade de sentir a vida contigo a meu lado.. neste tonto sonho de criança.. “devia ter mais cabeça” – digo pra mim mesma!, para ter noção real de tamanha utopia.. é exasperante este sentimento que temos... se estivesse de fora.. com a minha prepotência analisaria a cena de uma forma triste apenas, confirmando com apenas um aceno de cabeça, a inevitabilidade de uma relação condenada.. quero muito dar-me este direito... e a ti também.. de viver esta relação... mas morro de medo... morro de medo de deixar, no meio de tudo isto, a vida escapar-me por entre os dedos...
De qualquer forma.. sinto que ela já escapa...na indecisão entre o partir e o ficar.. entre o dever-te amar ou não...
segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008, 22:36:48



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