A noite vinha devagarinho, como se o tempo também estivesse embriagado e alucinado pelo fumo do nosso último cigarro.. Todo o seu corpo estava repleto em mim, toda a sua alma cabia naquele momento em minha mão. Desejei ter coragem para soltar aquele nó na garganta que me perseguia desde sempre, desde que o senti pela primeira vez.. Vinha acompanhado por um aperto no peito sempre que a abraçava contra mim, contra o meu regaço frágil, ou sempre que a olhava na sua profundidade.. Trazia em si uma angústia e um medo quando imaginava a sua ausência, e uma sensação de felicidade absoluta.
Naquele momento, em que a minha mão percorria as suas costas, em que as suas pernas se entrelaçavam nas minhas e o seu corpo se encontrava totalmente envolto no meu, desejei ter essa coragem. "E se eu te disser o que sinto? Vais fugir quando perceberes que me tens por inteiro? Vais desinteressar-te e sentir que a vida a meu lado poderá ser monótona, que os dias poderão ser iguais. Vou desproteger-me se eu o disser... porque tenho que o dizer? Posso ficar com este nó na garganta até explodir".. Pensava sempre em tudo isto quando me sentia no sufoco da surdez dessas palavras..
Ela pressentia-o, mesmo quando entre nós apenas permanecia o silêncio.
"Diz amor.."
Nada, esquece, não é nada.
Mas eu sei que queres dizer algo.
Eu escondia o rosto, com medo que o meu olhar me desmascarasse. Com medo de lhe querer explicar tudo aquilo que sentia e de não me conseguir expressar correctamente.
Às vezes penso que ela achava piada a esta situação. Com o meu jeito frágil de menina que percebe que joga ás escondidas e está prestes a ser descoberta. Creio que até provocava certas situações..
O que sentes por mim amor?; Sabes que isto é amar-te?.
Eu ficava despida, perdida, sem palavras, nem reacção..
Ontem, naquele momento em que deixei de ter existência em mim, toda concentrada e protegida pela sua pele quente colada ao meu corpo frio, o nó desfez-se..
Amor..
Sim.. (o medo mortificou-me, deixando o silêncio imperar) Diz meu amor..
Eu Amo-te..
Nunca o meu coração sentiu tamanha explosão, tamanha dor e euforia, tamanha pequenez.. a fragilidade de toda uma vida invadiu-me, o meu corpo tremia.. senti-me verdadeiramente única... como se nunca, em nenhuma circunstância tivesse jamais pronunciado tais palavras.. Como se o meu corpo deixasse de estar ali e toda eu me tivesse tornado o seu sangue, a sua carne, a sua pele... Como se nunca tais palvras tivessem sido conhecidas e eu as tivesse inventado pela primeira vez em todo o mundo.. como se aquelas palavras apenas lhe pertencessem..
Naquele momento, todo o meu corpo fugiu de mim, o meu coração parecia não desacelerar, e apenas sossegou quando o seu olhar se cerrou num beijo que tocou os meus lábios, enchendo-os de vida. Naquele momento toda eu me extingui para ser Sua.
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